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A Criança e o Método Montessori

Método Montessori - A Criança

A grande descoberta montessoriana é que as crianças são as construtoras da humanidade[4]. Do ponto de vista montessoriano, não são os adultos que “constroem” as crianças, mas as crianças que fazem os adultos. O adulto depende dos esforços da criança. Esse é o tamanho de sua importância – ela não é mais um ser passivo que será aquilo que fizermos dela, mas um ser ativo, que se esforça o tempo todo para preparar a humanidade de amanhã. Por isso, o empenho da criança vai sempre na direção de se tornar cada vez mais independente dos adultos, cada vez mais forte e mais potente.

Para Montessori, o desenvolvimento acontece em fases, que são chamadas de Planos de Desenvolvimento. A cada plano, as crianças buscam um novo patamar de independência em relação aos adultos.

Primeiro Plano do Desenvolvimento (0 a 6 anos)

Nesta primeira fase da vida, as crianças têm dois grandes objetivos: aprender como o mundo funciona, para saber como funcionar no mundo [5], e adquirir independência física em relação ao adulto.

Aprender como o mundo funciona quer começa por absorver o mundo, suas imagens, sua linguagem, suas regras e sua cultura, suas leis físicas, químicas e biológicas. Isso não é fácil, e as crianças contam com a enorme capacidade do cérebro infantil de se transformar a cada nova informação. Montessori não podia observar o cérebro, mas observava o comportamento, e sabia que as crianças tinham um tipo de mente muito especial [5]. Chamou-a de “Mente Absorvente”, e com isso explicou como a criança parte do “nada” e chega a construir um ser humano competente e forte em breves seis anos de vida.

A independência física, outro pilar deste primeiro momento do desenvolvimento, pode ser resumida em uma frase, dita pelas crianças: “Me ajuda a fazer sozinho” [6]. Elas querem aprender, mas não querem que os adultos façam as coisas para elas. Querem fazer. É pela ação que elas se constroem e se transformam. As crianças enfrentam as dificuldades e os fracassos das primeiras tentativas e insistem até o sucesso e o aprendizado. Montessori dizia que nunca devemos interromper uma criança em alguma coisa que ela acredita que consegue fazer sozinha, não importa quão lento seja o seu progresso.

Este Primeiro Plano é guiado por Períodos Sensíveis [5]. Ciclos durante os primeiros anos de vida em que o interesse, o foco, e os esforços da criança são direcionados completamente para uma área do desenvolvimento. Há períodos sensíveis para o movimento, a linguagem, os sentidos, a escrita, a matemática… E se a criança tiver liberdade para perseguir seus interesses durante os períodos sensíveis, se desenvolverá com mais facilidade, fluidez, aparentemente sem esforço e os resultados serão muito superiores ao que seriam se os períodos sensíveis fossem ignorados ou suprimidos.

Conforme fazem coisas cada vez mais difíceis, as crianças dominam o mundo mais próximo de si, começam a ansiar pelo mundo desconhecido, e aí chegam à fase seguinte.

Segundo Plano do Desenvolvimento (6 a 12 anos)

As crianças do Segundo Plano do desenvolvimento já dominaram bastante do mundo mais próximo. Elas sabem cuidar de si, e até conseguem cuidar dos outros e do seu ambiente. A independência física está conquistada o suficiente, e agora elas desejam alcançar outros mundos, que não podem ser tocados [7]. Mundos distantes: outros continentes, o universo, as civilizações do passado, a Terra na época de sua formação e os animais na história de sua evolução.

Sobre as crianças mais novas, do Primeiro Plano, Montessori dizia que suas “mãos são os instrumentos da inteligência humana” [5]. Se é assim, a imaginação é a mão da criança de 6 a 12 anos. É com a imaginação que a criança investiga e compreende os mundos distantes e inatingíveis. Lendo, ouvindo, estudando, imaginando, as crianças conquistam a independência intelectual. Aprendem a pensar sem a ajuda dos adultos [8]. E porque pensamos melhor quando pensamos juntos, essas crianças trabalham melhor quando trabalham em grupo, com uma mediação cada vez menor e mais sutil.

É inevitável que, nessa intensa convivência, problemas morais apareçam, e uma frase importante para as crianças de 6 a 12 anos é “Isso não é justo!”. Se para entender o mundo as crianças precisam fazer perguntas, escutar e contar muitas histórias, para compreender aspectos morais e de convivência, é necessário dar espaço para a análise [9]. Não devemos resolver os problemas delas, e nem é adequado dispensar as crianças diminuindo a importância do que dizem – mesmo quando elas estão questionando os nossos comportamentos. O trabalho do adulto no Segundo Plano do desenvolvimento é dar elementos para a compreensão, e depois permitir a reflexão livre – perguntas, histórias, diálogo e tempo. A socialização fica cada vez mais importante na vida das crianças, até chegarem à adolescência.

Referências

[1] Lillard, L. Montessori: The Science Behind the Genius. Oxford Univ. Press, 2018.

[2] Trabalzini, P. Maria Montessori: Through the Seasons of the Method, The NAMTA Journal, Vol. 36, No. 2, Spring 2011.

[3] Kramer, R. Maria Montessori: A Biography. De Capo Press, 1988.

[4] Montessori, M. Formação do Homem. Kirion, 2019

[5] Montessori, M. Mente Absorvente. Portugália/Nórdica.

[6] Shields, J. “Help Me to Help Myself”: Independence and the Montessori Philosophy. Montessori Guide, AMI/USA, 2014. Disponível em: https://montessoriguide.org/help-me-to-help-myself

[7] Lillard, P. Montessori Today: A Comprehensive Approach to Education from Birth to Adulthood. Schocken Books Inc, 1996

[8] Montessori, M. Para Educar o Potencial Humano. Papirus, 2014.

Fonte: Gabriel Salomão by Lar Montessori

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